Sem ais nem uis
Ela ali estava, diante de mim. Os dedos dos pés pareciam chamar-me e, lá ao fundo, as suas pernas abertas anunciavam-lhe o sexo. Catarina tinha uns pés pequenos e não se lhes conseguia ficar indiferente. Não usava verniz nas unhas, mas sinceramente também não lhe fazia falta alguma.
Os dedinhos dos pés pareciam esculpidos, quem sabe por qual grande artista. Enfiei cada um deles, à vez, na boca e confesso que me excitou ligeiramente. Passei ainda a língua pelos intervalos de cada um e admirei a superfície macia que os revestia.
Quando arrisquei uma passagem com a ponta da língua pela planta do pé, Catarina retirou-o imediatamente. Riu um pouco e pediu-me que não voltasse a fazê-lo. Tinha muitas cócegas, imensas mesmo. Longe de mim ofuscar aquele momento de intensa luminosidade!
Abri-lhe as pernas um pouco mais. Tinha na mente uma pura e mais do que perfeita contemplação do panorama que se avizinhava a norte dos pés de Catarina. Ali ao fundo sabia que seria sempre a subir e essa certeza agigantava-se à medida que os segundos passavam discretos. Percorri-lhe a pele das pernas com as mãos e senti toda aquela delicadeza.
Não lhe via o rosto mas podia apostar que Catarina mantinha os olhos fechados. Vi-lhe, ainda, os punhos cerrados. Catarina ia relaxando pouco a pouco e eu parti seguro para aquela aventura.
Peguei-lhe nas pernas e elevei-as, juntando-as posteriormente. Segurei-as firmes e direitas com uma das mãos. Nesta posição, o sexo de Catarina sobressaía inchado. As suas nádegas ostentavam uma pecaminosa forma de coração.
Passei a mão que ainda mantinha livre pelo monte de pêlos e segurei-os para cima. A vagina de Catarina estava descomunal, o termo é mais do que perfeito, e, por isso mesmo, convidativa. Nesta altura, eu controlava, sabe-se lá a que custos, os impulsos selvagens de a penetrar ali mesmo. O meu pénis clamava por atenção e chegava mesmo a arder de emoção.
Com uma ginástica que eu desconhecia ser possuidor, estiquei a cabeça quanto consegui e alcancei-lhe o sexo com a língua. Do outro lado das pernas, um gemido forte fez-se ouvir e o eco pareceu-me ensurdecedor.
Enquanto ia afastando os pêlos mais teimosos com os meus dedos, a minha língua ganhou livre trânsito e foi espontânea na sua expressão. Tinha um sabor ligeiramente amargo na boca, apenas contemplado por pequenos laivos de um prazer intenso.
Catarina enlouquecia e como era seu costume, inundou o momento com um violento orgasmo. O seu corpo estremecia espasmos, tal e qual como se estivesse a ser vítima de minúsculas descargas eléctricas. Nestas alturas, Catarina deixava de controlar os membros e por pouco as suas pernas não se soltaram lá do alto, onde eu as mantinha, agora às custas de uma imensa força.
Ainda ofegante, pediu-me o corpo. Abri-lhe as pernas muito bem abertas e posicionei-me em cima dela. De quatro, fiquei frente a frente ao seu sexo, uma vez mais. A vagina de Catarina latejava e eu obedeci ao seu chamamento.
Catarina abocanhou-me o pénis e um ai surdo soltou-se-me nesse preciso instante. Era como se toda a fome do mundo se tivesse concentrado na sua boca. Catarina sugava-me o membro em todos os sentidos e pareceu-me ouvi-la sôfrega.
Por entre toda aquela luxúria, ainda consegui avisá-la do que aconteceria se fosse com tanta sede ao pote, digamos, ainda que folcloricamente. Catarina entendeu a mensagem e o ritmo diminuiu, se bem que o mal já estava feito. Assim compreendia eu que não era a velocidade da manobra, mas a própria boca da minha amada a única a culpar pela intensidade dos meus sentidos. Sim, Catarina era a única a culpar pela minha quase completa loucura.
Bem, se há homens que não compreendem as mulheres, em alguns aspectos eu invejo-as. Catarina caminhava, a passo de corrida, para o seu segundo orgasmo. Mal o tal fio de electricidade lhe começou a percorrer o organismo, eu dei-me ao trabalho de temer pela saúde do meu pénis na sua boca. A verdade é que os seus dentes se mostravam ameaçadoramente perto do meu membro. Quase lhes podia sentir o marfim.
Felizmente nada aconteceu, mas tudo estava longe de terminado. Ondulante como uma serpente, Catarina voltou-se de costas. Oferecia-me todas as curvas das suas nádegas como um poderoso chamariz, ao qual ninguém poderia ficar indiferente. Um pequeno reflexo de luz passeou-lhe pela pele lisa e eu fiquei deslumbrado.
Tomei-lhe cada metade com as mãos, quase como que de assalto, e, sem sequer pensar, afocinhei-me no seu ser. Apenas por breves instantes pois não queria deixar em falso aquele convite irrecusável e totalmente imprevisto.
Segurei o pénis e tentei a entrada. Era tão apertado que até doía. Era a minha estreia, mas eu sabia que não a podia deixar mal. Bem, eu também não queria ficar com o currículo manchado.
Estava a demorar mais do que se previa mas nós não tínhamos pressa alguma. Eu, pelo menos, não tinha. Catarina estava perfeitamente relaxada e, sem ais nem uis, instaurava uma vez mais o convite. Eu fermentava de ansiedade.
Pouco a pouco, fui encaminhando o meu ser para dentro do de Catarina. Até que...Um calor exacerbado me subiu pelas entranhas. Tinha a certeza de que a minha temperatura rondava os 40 graus.
Se eu pensava que o pior era chegar até lá, todas as minhas certezas se dissiparam no segundo a seguir. Mexer-me dentro das suas nádegas era bem mais complicado do que parecia. Apesar de tudo, naquele local tudo era tão mais intenso que a própria velocidade, ou o simples movimento, se tornavam desnecessários.
Catarina é que era esperta como uma raposa. Ou talvez até mais! Parecia não lhe agradar nem um pouco a ideia de terminar ali aquele episódio. Autoritária mandou-me sair e ofereceu-me, risonha, a sua vagina. Tive medo de não conseguir apreciá-la convenientemente. Principalmente depois de todo o resto. Felizmente, Catarina rondava as imediações de uma meretriz!
Agarrei-a pelas ancas e, juntamente com o ponteiro dos minutos, desencadeei a minha pequena recordação. As costas de Catarina só tocavam no chão pela altura dos ombros. Todo o resto era elevado pelos meus movimentos seculares. Tinha os calcanhares pregados na alcatifa e parecia que nada a tiraria dali, de junto a mim.
Dentro de si tornei-me preenchido. O meu primeiro orgasmo acompanhava pacientemente o terceiro de Catarina. Esgotado pela página histórica que tinha elaborado, senti o peso do mundo nos ombros e mal articulava um som. Catarina já se dirigia para um banho de emersão perfumado, lançando ao ar um convite mais ou menos obsceno. Nunca iria perceber de onde vinha tanto apetite!
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