Baby Baby
Parecia que tinha passado uma eternidade desde a última vez que eu o tinha visto. O meu primo, que regressava agora da Austrália, tinha apenas 15 anos na sua última visita e o nosso grau de parentesco era bastante afastado.
Alguém teria de ir buscá-lo ao aeroporto, mas essa pessoa nunca poderia ser eu. Além de me ser impossível reconhecer Amadeu fisicamente, a minha vida era demasiado agitada para me permitir uma deslocação a meio da semana a Lisboa. Assim, optámos pelo meu tio, que praticamente passava os dias em casa, na companhia da mulher. Nenhum dos dois tinha de se apresentar num posto de trabalho.
No dia marcado e à hora estabelecida, lá estavam os dois, plantados no local das chegadas, à espera que Amadeu rompesse pela porta. Estava decidido que mal o meu primo chegasse da Austrália, eles regressariam no carro até casa. Há muito tempo que eu não via Amadeu. Não fazia a menor ideia, agora mais de 10 anos passados, de como seria o seu aspecto físico.
Nós éramos praticamente da mesma idade. Amadeu tinha dois ou três anos a mais, mas se esse pormenor nunca nos tinha feito confusão quando éramos companheiros de brincadeiras na infância, muito menos agora iria apresentar qualquer tipo de obstáculo.
De todas as casas da família, a minha era a única que tinha mais quartos. Bem, tinha um quarto vago mas foi o suficiente para destinarem Amadeu como meu hóspede. Confesso que a ideia inicialmente me assustou um pouco. Afinal não conhecia minimamente o animal nem quais os seus hábitos. De qualquer das formas, eu já tinha decidido que se ele me começasse a aborrecer muito seria gentilmente convidado a sair. Hóteis e pensões eram coisa que não faltava na cidade. Pouco me importava que a família me começasse a olhar de lado. Eu estava primeiro e na minha casa mandava eu.
Era sexta-feira à noite e eu já tinha jantado. Estava a passar a ferro a roupa da semana. Depois fazia intenções de sair, quem sabe para um café e um copo. Pouco depois das 10 horas da noite, a campainha tocou. Eu já nem me lembrava que vinha um primo da Austrália.
Falei pelo intercomunicador e alguém respondeu que se chamava Amadeu. Foi como uma estalada e a memória avivou-se. O homem já ali estava e eu nem lhe tinha preparado o quarto. Tudo se resolveria, pensei eu com a calma que me é característica.
Desci as escadas e abri a porta. Senti que estava com uma cara de parva enorme e que nada conseguia fazer para resolver o assunto. À minha frente estava um homem alto, moreno, com uns olhos verdes divinos e um corpo talhado no céu. A sua forma de vestir era bastante informal, com uma elegância distinta e um bom gosto incrível. Era o meu primo Amadeu.
Convidei-o a entrar e ele foi subindo as escadas, sempre comigo na sua retaguarda. Ainda por cima tinha um traseiro perfeito, redondinho, como eu gosto. Instalados na pequena salinha onde eu mantinha a lareira constantemente acesa, perguntei-lhe se tinha fome. Amadeu respondeu que a única coisa que lhe apetecia mesmo era tomar um banho e talvez sair para beber um copo. O primo da Austrália aumentava na minha consideração a cada segundo que passava.
Limpinho e perfumado, Amadeu apareceu na salinha ainda mais bonito do que há alguns minutos atrás. Informou-me que já estava pronto, como se eu não tivesse capacidade para ver que há muito que ele estava pronto. Vesti o casaco e peguei na carteira e nas chaves do carro e lá fomos nós a um barzinho que eu conhecia muito bem. Era Inverno e já passavam 15 ou 20 minutos da meia-noite.
Quando eu entrei com o Amadeu no bar toda a gente olhou. Claro, como não haviam de olhar. Aquele monumento de homem chamava a atenção até das mais míopes. Pedimos cafés e uísques para os dois. A conversa aconteceu e foi sucedendo-se, tal e qual como o álcool nos nossos copos, que não primava pela ausência. O uísque entrava nos copos e só saía para nos subir à cabeça. Tanto andou e tanto escalou que o inevitável aconteceu.
Amadeu, já embriagado, deixou escorregar os seus lábios para os meus e eu não me fiz de rogada. Afinal, não havia mal nenhum. Nós devíamos ser primos talvez em sexto ou sétimo grau, isto já a favorecer a coisa. Pouco depois, foram as mãos dele que, atrevidas e quem sabe cegas, se atiraram à minha cintura e me massajaram as ancas, num despudor nada característico a um primeiro encontro.
Confessei-lhe que me sentia quente, num misto de álcool e de desejo, e Amadeu acrescentou que mais quente do que ele não poderia estar. Discretamente, segredou-me ao ouvido que queria fazer amor comigo. Ainda me lembrei de lhe perguntar porquê, mas o bom senso impediu-me pois poderia estar a destruir o momento.
Devagar, muito devagar, levámos o carro até casa e depois de estacionado, desatámos a correr para casa, pois entretanto tinha começado a chover. Porta fechada e chaves na fechadura, Amadeu tirou-me o casaco e beijou-me a nuca. Estremeci. As suas mãos soltaram-se do corpo e embarcaram nos meus seios, prontas para uma aventura desbragada.
Fomos subindo as escadas entre beijos e carícias e uma vez à porta do quarto, do meu, já eu estava nua e Amadeu em tronco nu. Lançou-me para cima da cama e beliscou-me os mamilos. Com uma das mãos rompeu-me vagina dentro e sugou os dedos à medida que os ia retirando. Lambia-os com lentidão, um a um, como que a retirar todo o sumo que neles se concentrava.
A luxúria estava ao rubro quando o seu pénis me alcançou o sexo, sedento e húmido. Senti-o poderoso, inchado e decidido, como que a reclamar algo que há muito lhe pertencia. Amadeu era violento q.b. nas suas investidas, mas o carinho fazia igualmente parte do seu pensamento. Procurou sempre saber como eu me sentia e se estava tudo bem.
O tempo parou naquele instante e perdemos a conta às horas. Reparei no tarde da hora quando pelos buraquinhos das persianas vi os escassos raios de sol. Amadeu jazia esgotado a meu lado, com um dos braços por cima do meu peito, como que a dizer não sais enquanto eu não quiser. Tentei escapar-me sem o acordar, mas dir-se-ia que ele espreitava pelos cantos das pálpebras e impediu-me.
Agarrou-me uma vez mais e quase à traição enfiou-me o sexo, agora mais inchado do que na véspera, determinado a conquistar-me de vez. Beijou-me cada centímetro de pele e nada querendo deixar ao acaso, ainda teve tempo para brincar com a língua na minha vagina cansada.
Amadeu nunca mais voltou para a Austrália. Desde aquela noite, foi-se deixando ficar lá por casa. Gostamos das mesmas coisas, de apanhar bebedeiras juntos, ele de comer e eu de cozinhar. Fazemos um amor muito pouco civilizado e atrevo-me a dizer que gostamos muito um do outro. O meu outro quarto nunca chegou a ser ocupado.
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